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O Amor como Condução à Perfeição

· 7 min para ler
Bruno Nogueira
Desenvolvedor de Software

Amor

Alguns dias atrás me deparei com uma imagem de uma pessoa lendo o livro O Banquete - Platão, Edição Bilíngue da editora 34, como se trava de um filosofo resolvi dar a chance de pelo menos ler a sinopse e acabei me interessando, ou pode ter sido mais por causa da pessoa que estava lendo, mas em fim, resolvi ler, quando visualizei a discussão a respeito da multifacetada do amor, que no contexto é uma discussão sobre o deus Ero (deus do amor) então resolvi fazer uma exposição sobre o amor exposto na Bíblia.

Ninguém há tão ruim que o próprio Amor não o torne inspirado para a virtude (livro)​

A frase central que chamou a minha atenção, a ponto de escreve alguma coisa, foi...

"ninguém há tão ruim que o próprio Amor não o torne inspirado para a virtude, a ponto de ficar ele semelhante ao mais generoso de natureza"

O inicio do livro trata de um discurso entre pensadores, e um deles chamado Fedro defende que o Amor é o mais antigo dos deuses e a causa dos maiores bens para os seres humanos. Ele explica que o amor desperta em nós a vergonha do que é feio e o apreço pelo que é belo, sentimentos indispensáveis para que indivíduos ou cidades realizem grandes e nobres obras.

Para ilustrar essa força que vem do amor, Fedro argumenta que um homem preferiria morrer a ser visto pelo seu amado agindo com covardia ou abandonando-o em um momento de perigo. É nesse contexto que ele pronuncia a frase citada: "ninguém há tão ruim que o próprio Amor não o torne inspirado para a virtude, a ponto de ficar ele semelhante ao mais generoso de natureza". Esse ardor que inspira ações heroicas é um dom divino que o Amor emana diretamente sobre aqueles que amam.

Tenho que externar que a reflexão não está errada, além de ser uma belíssima sobre o poder transformador do amor. Isso é registrado no livro (também conhecida como Simpósio). A frase é proferida por Fedro, um dos personagens do diálogo, enquanto ele discursa em louvor a Eros (o deus do amor). No contexto da obra, Fedro argumenta que o amor é o sentimento mais antigo e poderoso para guiar o ser humano em direção a uma vida nobre.

O Significado Essencial da Frase de Fedro (livro)​

A direção que essa defesa de Fedro é um e estímulo à Virtude onde a presença do amor desperta o desejo de agir corretamente, pois ninguém deseja parecer covarde ou desprezível diante da pessoa amada. Levando a pessoa para uma transformação interior, deixando de ser uma pessoa comum (ou mesmo a alguém propenso a falhas) a mesma coragem e generosidade que pertencem àquelas que já nasceram com uma natureza nobre.

Amor na Bíblia Sagrada​

Obviamente existe na Bíblia Sagrada um referencial a respeito do amor, onde pra alguns seria um paralelo teológico e prático muito fortes com essa ideia de Platão. Embora Platão use uma abordagem filosófica grega (o amor como busca pela beleza e perfeição ideal), as Escrituras apresentam o amor (Ágape) como o motor supremo da transformação moral e espiritual humana.

Mas quero trazer que o amor é o ato, expressão, manifestação, "objeto" mais predominante desde o princípio de todas as coisas, não só porque é narrado no novo testamento da Bíblia Sagrada mas por causa da manifestação implícita no antigo testamento. Pois Deus poderia muito bem exterminar toda a humanidade sem derramar um pingo de suor, afinal de contas Ele é o todo-poderoso.

O amor de Deus pela humanidade já tinha sido estabelecido antes mesmo da fundação do mundo. Esse afeto eterno se manifesta desde o princípio, no relato do Antigo Testamento, onde, diferentemente de todas as outras criaturas feitas "segundo a sua espécie", o ser humano foi formado de maneira singular, à imagem e semelhança do Criador (Gênesis 1.26) como um vaso projetado especificamente para conter a Deus e compartilhar intimamente com Ele.

O próprio relatos Bíblicos registram a persistência de Deus com o ser humano, em Jeremias 31.3 "...Com amor eterno eu a amei; por isso, com bondade a atraí.", onde é visível que o Senhor nos ama com um "eterno amor". Embora a desobediência no Éden tenha levantado uma barreira de pecado e levado o homem a duvidar desse cuidado, a história da redenção atesta que a própria substância de Deus é o amor — uma graça inabalável que atua ativamente para resgatar e restaurar a criatura à comunhão e à filiação com o Pai.

O Amor como Condução à Perfeição Moral​

Em Colossenses, o apóstolo Paulo apresenta o amor exatamente como o elemento capaz de unificar e elevar todas as outras virtudes, funcionando como o topo da maturidade humana.

  • Colossenses 3:14: "Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o vínculo da perfeição."
  • Gálatas 5:22: Paulo lista as virtudes do cristão (o Fruto do Espírito), e a primeira delas é o amor. A partir dele, desdobram-se a alegria, a paz, a paciência, a amabilidade e a bondade.

O Amor que "Cobre" e Transforma a Natureza Ruim​

A frase de Platão diz que ninguém é "tão ruim" que o amor não mude. Na Bíblia, há uma expressão exata sobre o amor ter o poder de neutralizar e superar a maldade ou os erros do passado.

  • 1 Pedro 4:8: "Acima de tudo, amem-se sinceramente uns aos outros, pois o amor cobre uma multidão de pecados."
  • Provérbios 10:12: "O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões."

Nesses trechos, o texto sagrado ensina que a presença do amor gera perdão e restauração, impedindo que a "natureza ruim" (o pecado) continue a se manifestar.

O Amor que Desperta o Heroísmo (Semelhante ao "Mais Generoso")​

Platão afirma que o amor torna a pessoa inspirada e corajosa, semelhante ao mais generoso por natureza. Na Bíblia, o maior exemplo de generosidade e coragem (dar a própria vida) é alimentado única e exclusivamente pelo amor.

  • 1 Coríntios 13:7: "O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."
  • João 15:13: "Ninguém tem maior amor do que este: de doar a sua própria vida pelos seus amigos."

Conclusão​

Tentei demonstrar aqui um referência para expor que mesmo que os escrito de Platão sejam antigos existe registro a respeito do amor ainda mais antigo. E claro que devo reconhecer, em parte, uma fala do personagem Fedro onde abre os discursos afirmando categoricamente que o Amor é o "mais antigo dos deuses", obviamente que não reconheço o Amor como um deus, menos ainda que exita outros além de YHWH, (SENHOR), mas o Amor realmente é muito antigo a ponto de não poder datar, pois o Amor é o próprio Deus e como ele é eterno logo o amor existe antes mesmo de Platão abrir essa discussão.

Resumo do Paralelo​

Conceito de Platão (O Banquete)Conceito Bíblico (Novo Testamento)
O amor inspira a pessoa à virtude.O amor é o vínculo da perfeição e o maior mandamento.
Ninguém é tão ruim que o amor não mude.O amor cobre uma multidão de pecados e transforma o velho homem.
Torna o homem corajoso e generoso.O amor tudo suporta e move o sacrifício ao próximo.